Cálculo do consumo da energia elétrica e as bandeiras tarifárias

Sempre que recebemos nossa conta de energia elétrica, na maioria das vezes, observamos o valor a pagar, a data de vencimento, e no máximo os Kilowatts gastos.

Vamos descobrir nas próximas linhas, como é feito o cálculo que determina o valor a ser pago conforme um determinado equipamento consumiu de energia elétrica.

Vou utilizar como exemplo um ventilador simples, o Britânia Mega Turbo 30 SIX que segundo o site do fabricante, tem uma potência de 55W. Vejam ele abaixo:

Para chegar a estes 55W, são multiplicados a tensão (V) pela corrente elétrica (I). Isso fica para um outro artigo, com detalhes técnicos. Continuando…

Conforme o documento disponível no site da ANEEL, temos a fórmula abaixo:

Ou seja, o consumo é igual a potência em Watts, multiplicado pelas horas dentro de 30 dias (período comum de faturamento) e dividido por mil. Lembrem-se que a medida padrão é KW/h. Então temos que colocar com valor real e sem abreviaturas.

Então meu ventilador tem uma potência de 55W e suponhamos que eu o uso 10 horas por dia. Estas horas diárias em 30 dias, acabam se tornando 300 horas.

Até aqui sabemos que de uma fatura com valor de 200 KW/h por exemplo, este ventilador representou sozinho 8,25% do total.

Um chuveiro elétrico equivale a cerca de 250 lâmpadas fluorescentes

Com base no cálculo acima, veja quanto consome um chuveiro. Em média, a potência de um chuveiro comercializado no Brasil, é de cerca de 5500W. Em outras palavras, quando você liga seu chuveiro, é como se ligasse cerca de 250 lâmpadas fluorescente de 20W cada.

Voltando…

Tudo bem, mas eu quero saber como isso é representado em nossa moeda, o Real. Para isso, devemos levar em consideração a tarifa definida pela ANEEL. Cada concessionária tem uma tarifa diferente. Para nos ajudar no processo e também por curiosidade, trouxe do site ANEEL, 3 empresas da tabela de tarifas das concessionárias de energia elétrica de nosso país. Com a tarifa mais barata, temos a concessionária Coopera do estado de Santa Catarina e seu valor é de “0.296”. Já a tarifa mais cara fica por conta da concessionária Cedri do estado de São Paulo, onde seu valor é de “0.663”. Vamos usar, para calcular quanto nosso ventilador gastou, a tarifa de meu Paraná querido, mais precisamente a da concessionária Copel Distribuição. O valor é de “0.421” e o último reajuste foi feito em 24 de Junho de 2016.

Agora que já temos calculado o quanto nosso ventilador gastou em KW/h e a tarifa a ser aplicada, temos: 16,5 x 0.421. Ou a grosso modo, o consumo “vezes” a tarifa, que chega a um valor de R$6,94. Isso mesmo. Se utilizarem um ventilador de 55W por 10 horas por dia e 30 dias por mês aqui no Paraná com a tarifa atual da Copel Distribuição, seu gasto é o citado acima. Ainda sem contar os impostos citados mais abaixo.

ICMS (Paraná): 29,00%
PIS/PASEP: 0,8%
COFINS: 3,7%
Iluminação pública (IP – definida por cada município. Em Curitiba, este é o valor definido para minha unidade consumidora): R$4,05

Como se não bastassem os citados acima, ainda temos mais uma possível surpresa (continua após a imagem).

As bandeiras verde, amarela e vermelha

A grosso modo, se foi necessário ligar alguma usina térmica, seja por falta de chuva ou qualquer outro tipo de empecilho relativo a geração e/ou transmissão de energia elétrica através das hidroelétricas convencionais, entra em cena as bandeiras já citadas acima. Ou seja, verde está tudo bem. Amarelo, as mãos da imagem acima começam se afastar e vermelho, as mãos já estão bem mais afastadas.

A verde: “ouve-se uma harmônica de coral de anjos”. As condições são favoráveis a geração de energia e a tarifa não sofre nenhum acréscimo;
A amarela: “tempestade sem bonança”. Condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,020 para cada KH/h consumidos;
Bandeira vermelha – Patamar 1: “dedinho do pé no canto da cômoda”. Condições mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,030 para cada KH/h consumido.
Bandeira vermelha – Patamar 2: “gato sendo pego pela cauda/rabo”. Condições ainda mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$0,035 para cada KH/h consumido. Desculpem as frases ruins.

Para cada 100 KW/h consumido (ou suas frações)

Até fevereiro de 2015:
Vermelha = R$3,00
Amarela = R$1,50

A partir de março de 2015:
Vermelha = R$5,50
Amarela = R$2,50

A partir de setembro de 2015:
Vermelha = R$4,50
Amarela = R$2,50

Mensalmente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) verifica se é preciso ou não acionar as térmicas. Caso positivo, vejam os patamares dos custos de acionamento:

Para verde, o custo variável deve ser menor que R$200 MW/h. Para amarela, o custo deve ficar entre R$200 MW/h e R$388,48 MW/h. E, para custo variável superior a R$388,48 MW/h, seu bolso literalmente fica mais no vermelho. Segundo a própria ANEEL, a cenoura, digo, os os custos sempre estiveram presentes. Agora que ficaram “coloridos”.

Na fatura citada como exemplo, não houve mais cobrança pois estávamos na bandeira Verde:27/01-23/02.

Logo, já devem ter percebido que se caso aconteça uma bandeira vermelha (patamar 2) por exemplo, além de pagar R$0,035 para cada KW/h consumido, também paga R$4,50 para cada 100 KW/h consumido (ou suas frações).

2 thoughts on “Cálculo do consumo da energia elétrica e as bandeiras tarifárias

  1. Antes no quintal so tinha uma residencia que consumia em valor de 67 reais.Mas a casa foi dividida e o consumo aumentou e com isso surgiram os kws das bandeiras.Agora essa segunda casa esta ficando com o valor restante.Ou seja este mes veio o consumo com o valor de 222 reais e tira os 67 da outra casa e da segunda casa esta pagando mais de 150 reais.Como calcular corretamente?

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